A convite da ALLTEC, a IdeeLab percorreu 1.500 km pela Argentina, visitando produtores de olivas, pistache, nozes e uva, além de institutos de pesquisa como o IMTA e o INTA, em Tucumán, Catamarca, La Rioja, San Juan e Mendoza. Ronaldo Dalio, CEO da IdeeLab Biotecnologia, assina o relato abaixo sobre o que essa imersão revelou sobre o mercado argentino de biológicos.
1.500 km pela Argentina: o que o campo me confirmou sobre biológicos
Voltei semana passada de uma recorrida pela Argentina: Tucumán, Catamarca, La Rioja, San Juan e Mendoza. Visitei produtores de olivas, pistache, nozes e uva. Também institutos de pesquisa, como o IMTA e o INTA. Uma suspeita que eu já tinha voltou confirmada pelo campo: o mercado de biológicos na Argentina ainda tem um caminho enorme pela frente. Para quem trabalha com bioinsumos, isso é oportunidade!
Tecnificada, eficiente, com décadas de tradição em culturas de alto valor agregado: a agricultura argentina é séria. Mas no biológico, eles ainda estão um passo atrás do Brasil. Trichoderma é praticamente o único nome que circula com força por lá; o resto do arsenal, que já é rotina por aqui, ainda engatinha.
O desafio mais interessante que encontrei está justamente nessa distância. Na cultura da oliveira, o cancro por Agrobacterium e a chamada “tuberculose da oliveira”, causada por Pseudomonas savastanoi, seguem sem solução química eficaz. Em La Rioja, visitei um produtor que decidiu tocar seu olival inteiro. só com biológicos, sem nenhum insumo químico. Os talhões estavam impecáveis, num país em que o padrão ainda é o convencional.
Vi cenário parecido em nozes, em Coralino. E ouvi de perto o apetite da Argentina para virar um polo relevante de pistache em San Juan, cultura que leva de seis a sete anos para dar a primeira colheita e que hoje praticamente não usa biológico nenhum. Em Mendoza, no maior produtor de olivas e azeite do país, discuti com os agrônomos como a metagenômica do solo pode orientar decisões de manejo biológico; a empresa também ainda usa muito pouco.
Culturas valiosas, problemas que o químico não resolve, um mercado de biológicos ainda por se desenvolver: o padrão se repete de província em província. Para quem trabalha com bioinsumos, como é o nosso caso na IdeeLab, isso não é apenas um dado de mercado. É um convite para colocar em prática, ou desenvolver do zero, soluções que já testamos e validamos aqui no Brasil, adaptadas para a realidade de lá.
Fica aqui meu agradecimento a quem abriu as porteiras e os laboratórios para a gente. Em Catamarca, Franca Carrasco e Fernando Darío Balbi, do INTA Catamarca, e o consultor Federico Alonso. Em La Rioja, Fernando Bosetti e Javi
er Brizuela, da Coralino, em Sañogasta. Em San Juan, Constanza Cisterna, da Solfrut, e Angélica Ponce, da La Casa del Pistacho. E em Mendoza, Joel Mateo, da Olivum, Débora Gómez e Pedro Aguilón, do Grupo De Marchi, Exequiel Redondo, da AVA SA, e Jorge Valdez e Pablo Caligiore, do INTA La Consulta.
Foram 1.500 km rodados. O que ficou foi a generosidade de quem parou o dia de trabalho para conversar com gente de fora.
Essa imersão no jeito argentino de fazer agricultura me trouxe combustível para pensar diferente. Cada talhão visitado, cada conversa com pesquisador ou produtor, virou uma pergunta nova sobre como resolver esses gargalos. Não só para a Argentina, també, para o Brasil e, quem sabe, para a agricultura global. É esse tipo de viagem que lembra por que a gente faz o que faz.
Ronaldo Dalio
Se sua empresa também enfrenta gargalos que a química convencional não resolve, fale com o time da IdeeLab.


